Fisioterapia na Miastenia Grave

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Fisioterapia na Miastenia Grave

Mensagem  Sara Coelho em Dom Abr 10, 2011 9:36 am

As palavras “Myasthenia gravis” possuem origem grega e latina, “mys” = músculo, “asthenia” = fraqueza e “gravis” = pesado, severo. Tomas Willis, um clínico inglês de Oxford, fez as primeiras descrições dessa doença em 1672 no seu livro escrito em latim: “De anima broturum”, onde ele relata casos de pacientes com uma fraqueza muscular flutuante ao qual ele chamou de “paralysia spuria non habitualis”.

Porém, o primeiro relatado evidente desta patologia foi provavelmente em 1986 por Hèrard, um clínico francês que trabalhava no Hospital Lariboisière em Paris, sob o título “De la paralysie glossolabio-laryngée”. Tratava-se do caso de uma mulher com inicio de uma doença caracterizada por fadiga após leitura em voz alta acompanhada por uma sensação de aperto na garganta e progrediu para fraqueza muscular generalizada, ptose palpebral, alterações de voz e deglutição, dificuldades respiratórias e óbito dois anos após inicio dos sintomas.

O diagnóstico da miastenia grave na maioria das vezes é clínico a partir de suas principais manifestações que são: o enfraquecimento dos músculos oculares cuja apresentação clínica é a ptose palpebral e a diplopia; a paraparesia (paralisia incompleta, motora e sensitiva, dos membros superiores ou inferiores); a disparesia (comprometimento maior dos MMII); disartria (distúrbio da fala), dispnéia (desconforto respiratório), disfagia (distúrbio da deglutição) e a fraqueza generalizada.

O eletrodiagnóstico, feito através do teste de estimulação motora repetitiva, pode auxiliar na detecção e avaliação da miastenia grave. Anticorpos contra os AChR (receptores de acetilcolina) podem ser detectados no soro de aproximadamente 80% dos pacientes miastêmicos.

O fisioterapeuta possui o papel de elaborar programas de exercícios como uma estratégia efetiva na redução da fadiga generalizada e de variáveis psicológicas, como raiva, depressão, tensão e confusão. O exercício ainda traz efeitos fisiológicos, como aumento do número e densidade de mitocôndrias, aumento da massa muscular esquelética, do tamanho dos leitos capilares e melhora da degradação do lactato. Assim, existe uma melhora da resposta à fadiga, mesmo que seja difícil para pacientes com miastenia grave completar uma serie de exercícios com muitas repetições.

Lena-Eva e colaboradores (1993) realizaram um estudo para determinar se pacientes com miastenia grave leve poderiam aumentar sua força muscular ou sua resistência à fadiga através de treinamento físico. Os pacientes selecionados aleatoriamente realizaram exercícios de contração isométrica máxima repetida, com duração de dois a quatro segundos e dez segundos de descanso nos membros superior e inferior, usando como controle os membros superiores e inferiores contralaterais.

Foi realizado um teste de fadiga, onde os pacientes foram submetidos a contrações máximas com duração de três segundos e dois segundos de descanso. Os autores observaram que um treinamento muscular isométrico pode ser executado com segurança na miastenia grave leve, produzindo certa melhora na força muscular, sem efeitos colaterais negativos.

Varelas et al. realizaram um estudo com 18 pacientes miastênicos com episódios de insuficiência respiratória requerendo ventilação mecânica. Para tanto, realizaram um tratamento respiratório intensivo a fim de diminuir o risco de complicações respiratórias prolongadas. Os recursos utilizados foram: aspiração das vias aéreas, pressão respiratória positiva intermitente, suspiros e fisioterapia torácica (respiração profunda, estímulo à tosse, drenagem postural, vibração, percussão e mobilização no leito). Como resultado, os pacientes tiveram menos atelectasia e pneumonia (46%) do que as previstas em publicações anteriores (91%), levando a um suporte mecânico mais curto e menos tempo de estadia na unidade de cuidados neurológicos críticos.

De acordo com Silva et al. as vantagens teóricas de aumentar a ventilação alveolar sem uma via aérea artificial incluem: evitar as complicações associadas com o tubo endotraqueal, melhorar o conforto do paciente, preservar os mecanismos de defesa das vias aéreas e preservar a linguagem e a deglutição.

A miastenia grave possui como sua principal complicação a crise miastênica, que se caracteriza por uma redução rápida e marcante da força muscular com disfonia, disfagia e aspiração. Nos últimos anos a mortalidade provocada por essa complicação vem decrescendo graças à ventilação mecânica, que é responsabilidade do fisioterapeuta, e à admissão em unidade de terapia intensiva, ao reconhecimento e alguns fatores importantes, como: infecções, exposição a substâncias tóxicas, fatores emocionais, cirurgia, doenças tireoideanas e medicamentos, como tetraciclina, propanolol, relaxantes musculares, diazepam, corticoesteróides, entre outros.

Referência Bibliografica
  • Santos FRM, Tiago APPP, Fonseca AL, Christofoletti G. Refisão da Fisioterapia na Miastenia Grave. Revista Movimenta; Vol1, N 1 (2008)

  • Cunha FMB, ScolaRH, Werneck LC. Miastenia Grave: aspectos históricos. Arq. Neuropisq. 1999;57(2B):531-6

  • Carvalho ASR, Silva AV, Ortensi FMF, Fontes SV, Oliveira ASB. Miastenia grave autoimune: aspectos clínicos e experimentais. Rev. Neurociências 2005; 13(3):138-144


Acadêmica: Sara Ferreira Coelho
Fisioterapia 3º Período Turno: Noturno

Sara Coelho

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